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Tuesday, February 1, 2011

Saí uns diazinhos do ar por justíssima causa; fui cuidar meu pedacinho de terra lá no mato, ficar um pouco com os meus filhos peludos, arrumar algumas coisas e curtir um pouco do “dolce far niente”.
Quando vou para Visconde de Mauá, costumo não conseguir sair da pousada. Também, não é para menos: quando chego por lá sou tratada a pão-de-ló. Eu entro em um estado de inércia absoluta.
Passo horas folheando meus antigos livros e revistas, ou simplesmente olhando para o infinito com a mente vagueando e de repente posso congelar uma imagem e parar no alto de uma das montanhas. Caminhei até as cachoeiras, me joguei em suas águas geladas e aproveitei cada minuto.

Fala se dá para resistir um ovinho caipira no café da manhã??
Já contei por aqui e AQUI um pouquinho sobre o lugar e como fui parar lá um dia.
Desta vez, resolvi revisitar pessoalmente cada uma das plantinhas que consegui reunir ao longo dos anos para compor o em torno da minha casa.
Florada nova
Jardins também deveriam ser reflexos da alma e não apenas um arranjo estético impessoal, pensando nisso assim que comecei a fazer experimentações com diferentes tipos de espécie de mudas, preferi criar um jardim que despertem sentimentos e que fosse adaptável á região.
Deixei em paz a bela Emilia que precisa de terra muito fértil, a bougainville que é muito resistente, mas não se dá bem com a geada e tantas outras que gostava. 
Por lá, plantei árvores nativas, cercas vivas resistentes, mudas de reflorestamento diversas, roseiras, Maria sem vergonha, hortênsias, reservei canteiros enormes para pimenta, alecrim, boldo, capim limão para que se espalhassem à vontade e jurei de pé juntos que de agora em diante nunca mais vou tentar esconder das visitas os meus vasinhos de plástico.
Aqui uma vista da cerca viva sansão do campo hoje com mais de 10 metros de altura
sansão do campo com bordadura de maria sem vergonha
cerca viva de cedrinho vista do lado de fora
Eu adoro misturar várias qualidades de plantas no mesmo lugar. Especialmente as que se "dão bem". É planta também se dá bem com umas e não se dá com as outras.
A partir das mudinhas bem firmes nos vasinhos de plástico, faço experimentos e observo as que gostam de sombra, as que vieram do mesmo habitat etc.
vaisnhos de plásticos e latas (laboratório permanente)
Lírio do brejo
sonho de consumo de todos os chefes de cozinha; as capuchinhas "capucinas"...estão lindas!
Trouxe pimentassssssss
Como as pessoas, as plantas se sentem bem na companhia de certas plantas. Na verdade, elas vêm de ambientes naturais onde existe multiplicidade e diversidade, comunica-se entre si por meio do perfume, atraem diferentes espécies de insetos e pássaros, acabam formando uma comunidade perfeita.
Pensando assim, você começa a perceber que pode querer um jardim de cheiros doces, como o do jasmim, e lá eu tenho em abundância Lírio do brejo que atrai beija-flores, com seu perfume intenso, arvores frutíferas que dão flores e atraem uma infinidade de espécie de pássaros.
Deixo aqui essa bela moldura mais parecendo uma pintura para suas fotografias é só clicar e ampliar.
Tuco (o fujão), Zera e Norminha
Quer mais?
Então, envio lembranças da Rosinha, uma mulinha que é o animal de estimação da nossa comunidade. Fica andando para lá e para cá que nem cachorro “comunitário”, já que todos a adotaram quando foi abandonada por um fazendeiro da região.
Come a grama das pousadas e fila alguma sobra de comida dos comerciantes.
Se por um acaso, você estiver num restaurante na vila de Maringá e, de repente, aparecer uma mula ao lado da sua mesa não se assuste , é a mascote Rosinha. Ela adora filar uma bóia posar para as fotos e um carinho dos turistas.
Há 20 anos que freqüento a região e a Rosinha já estava lá, aliás, foi a primeira vez que vi uma mula que não trabalha feito um burro. Essa tirou a sorte grande!

Por falar em lembranças, quero agradecer a todos os comentários deixados aqui e também agradecer aos novos rostinhos que tenho visto por aqui, to super feliz pelo carinho e prometo que vou visitar todo mundo – É sempre um enorme prazer. Boa semana a todos!

"Segue o teu destino...
Rega as tuas plantas;
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
de árvores alheias"
Fernando Pessoa

Saturday, May 22, 2010

Acendedor automático
Mal o dia clareia o fogão a lenha é aceso. Manhoso como ele só, esquenta lentamente até tomar a temperatura ideal para o cheirinho de café escapar do bule e invadir quilômetros de distancia.

A gente acaba pulando da cama quentinha quase sem perceber.
Minha avó contava pra gente que na casa dela em Uberaba só existia fogão a lenha. É engraçado como essa memória ficou em algum local de minha mente e me fazer sentir o prazer e a alegria do aconchego que só cozinhas como essas podem nos dar - É um cheiro visceral que nos conecta aos nossos ancestrais ao redor das fogueiras.
Umas das coisas que sempre sonhei quando começamos a empreitada no mato era um dia ter um fogão desses.

Hoje é raro se ver um fogão a lenha nas casas, mesmo pelo as cidades mais distantes.
A necessidade de se preservar o meio ambiente dificulta a aquisição de lenha e aqueles que porventura, tenha um fogão a lenha, raramente podem fazer uso dele, pois a lenha se tornou escassa. Porém, felizmente lá no meu mato quando tem ventania, árvores velhas e secas caem feito penas e a gente faz a festa.
Galhos secos de araúcarias
Um dia vou contar por aqui o mico que paguei ao tentar fazer a minha primeira refeição completa quando inaugurei o fogão.
Felizmente tenho a sorte de ter comigo a Rosangela que nasceu em paragens muitos mais distantes do que essa e creseceu vendo a mãe, as tias e toda a familia ascendo o fogão a lenha.
Quando contei a ela minha saga com o fogão morreu de tanto rir quando eu contei que passei quase um dia inteiro tentando ascender pela primeira vez o tão sonhado fogão.
Uma vez aceso, o fogão a lenha só cessa seu trabalho quando todos vão dormir e olhe lá. Começa cedinho na hora do café emenda com o almoço, o lanche da tarde e o jantar. Assim, a mesa fica posta o dia inteiro e o cheirinho gostoso dos quitutes faz com que ninguém se afaste por muito tempo da cozinha.
Certa vez, intrigada de ver como a Rosangela conseguia acende-lo sempre tão rápido, puxei a cadeira, sentei e pedi para ela acender para eu ver.
A arte começa na forma de trançar paus grossos com os gravetos (isso vale também para ascender lareiras – Trançadinhos e gravetos. Galhinhos do pinheiro (araucária) que tem uma folhinhas bem fininhas, quando já estão secos, pega fofo que é um beleza, sem contar com o cheirinho que é uma delicia.
A cozinha definitivamente virou a sala de visitas, aliás, fazendo um aparte aqui, se lembrasse disso antes gastava um zilhão a menos com a obra, porque a cozinha é de longe a campeã em audiência e público atrativo para quem mora nas grandes cidades e vai passar as férias num lugarejo de vida mais mansa. êita coisa boa sô!
Aqui num falta companhia viu!
Continuando então sobre a arte de acender o fogão, o que vi foi sopra daqui e dali e vai controlando a chama e assim o fogão fica aceso o dia todo. O mais incrível é que depois de acabado o fogo, as brasas podem ser guardadas, debaixo da cinza.

É preciso que sejam cobertas de cinza. Caso contrário apaga. Você olha para o fogão, tudo apagado – e não sabe que é só mexer na cinza com um pau para que as brasas vermelhas apareçam. Aí, as brasas, colocadas debaixo dos gravetos e do capim – é só soprar. Não precisa fósforo: o sopro acende as brasas. Esse é o truque de mestre!
Escolhi essa foto do bolo feito pela Bruxinha Leila, porque pelo menos ela teve a decência colocá-lo num prato antes de parti-lo. Vocês viram a foto ai acima do meu??O causo é que quando tudo isso acontece em volta daquele fogão, acho que fica a cozinha fica meio bagunçada, eu meio acordada meio dormindo... Esse bolo fica tão cheirooooso, tão bonito, tão gostooooso que ninguém consegue fazer foto dele sem estar faltando pedaços.
Agora é tempo da colheita do pinhão - Sempre me impressiono ao escutá-las explodir do alto das araucárias.
Sobre as araucárias aprendi com o povo que nasceu por lá, que a pinha fruto onde estão aglomerados os pinhões leva dois anos para amadurecer.

E outra coisa que é científica e que descobri com meus amigos por lá, é que quando o ar fica muito úmido se preparando para chover, as pinhas dos pinheiros que já estão abertas, fecham-se para que as sementes continuem secas. A pinha prevê quando vai chover: ela fecha quando o ar está mais úmido e abre quando o ar está mais seco.
Assim quando as pinhas do chão estiverem fechadinhas, o tempo está úmido e poderá chover. Se estiverem abertas, vamos ter um dia quente e seco!!!
Dedico esse post às montanhas desse lugar
Porque foi aqui que eu falei com Deus.

Monday, May 17, 2010

4 Rs Reduzir, reutilizar, reciclar e reinventar

Antes queria dizer a todos que nessa semana de ausência senti saudades deste cantinho virtual, mas muito real, e feliz por todos os recadinhos deixados que muito me estimule a continuar por aqui.
Eu e o marido resolvemos viajar para Mauá no domingo dia das mães à noite depois do almoço com os filhos. Ficamos de domingo a domingo.

Cansamos de marcar essa “retirada” e quase nunca dá certo, desta vez resolvemos na hora e rumamos para nossa casa no mato. Que delicia poder sair um pouco da roda viva.
Por lá o máximo que temos é a TV parabólica, então aproveitamos para conversar, beber um bom vinho ao pé da lareira e apreciar o esplendor da natureza. Não pega celular e internet então e bom nem falar.

Além do silêncio, da exuberância da paisagem, do ar puríssimo dentre outras maravilhas, lá também temos tempo para refletir pensar, repensar e ver o mundo com as lentes da emoção. Já contei aqui um pouco sobre o lugar aqui.

Como sempre faço a cada ida, gosto de revisitar alguns guardados que deixei em cantinhos, caixinhas e gavetas. E junto com esse monte de coisas reflexões, lágrimas, risos, questionamentos, aproveito também para fazer a limpeza tanto em termos materiais como emocionais, procurando me desfazer de coisas que não acrescentam que não constroem, que não engrandecem,alimentam ou adoçam e merecem ser descartadas.
Confesso que ainda tenho dificuldades em me desapegar das coisas materiais – não de grandes coisas – mas daquelas porcarias que não valem nem no processo de reciclagem de lixo e que provocam risos e pensamentos irônicos em quem testemunha tantos guardados. Não vou contar quem são essas pessoas viu marido.
O fato é que precisamos dessa limpeza para liberar nossos espaços mentais físicos, mentais e abrir possibilidades novas.
E ai entra a coisa do contraditório – apesar de meu complexo de organização a minha alma ainda é uma casa de janelas abertas em dia de ventania. Por isso o esforço é maior na hora de arrumar tanta coisa e deixar tudo em ordem com o mínimo de sofrimento e de sentimento de perda.

Muita gente acredita que a única coisa que podemos fazer para ajudar o meio ambiente é fazer coleta seletiva do lixo de sua casa, mas nem todas as cidades ou bairros têm este tipo de serviço, as pessoas acabam não se sentindo motivadas a começar a ter atitudes ecológicas em seu dia-a-dia.
Não é fácil inserir este hábito em nossas vidas, mas é um exercício diário que nos faz ter, cada dia mais, o olhar apurado sobre as coisas que ainda nos podem nos ser úteis, principalmente com outra função.
vestidinho da barbie
vidro de azeitona,bróche e terço antigo
Sabe aquele papelzinho de bala amarradinho ao meio dentro e uma caixa de fósforos solitária? Que teve importância e significado em algum momento de alguma viagem da época de namoro.
Ou os brincos sem par, anéis quebrados e que nem é de ouro ou prata? E as bijuterias compradas sabe lá Deus quando que, encantadoramente estão fora de moda, em meio a tantas outras inesquecíveis.
Porta jóias com bijus coladas na tampa
Porta maquiagem aplicado frufrus diversos
virou espelho
caixa para o maridosouvenirs - lembranças de viagens (ainda não terminei)
quadro com colagem de bijus



Portanto, amigos “lembrancinhas” como essas aos poucos vão saindo de dentro de meus guardados e ganhando outras formas e usos, com certeza outras mais novas e mais significativas em termos de afetividades ocuparão seus espaços. Afinal, sabemos que “a Day” – aquele que todos teimam em não pensar, em nossa bagagem será levado apenas nossos méritos e conquistas realmente significativas e que não têm volume, peso e nem valor: - Lixo Zero!

Linda Semana a todos!

 

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